O setor da construção continua a ocupar um lugar central na economia portuguesa. Em 2026, a atividade mantém-se dinâmica, mas enfrenta simultaneamente novos desafios: custos de construção elevados, necessidade de aumentar a oferta de habitação, falta de mão de obra especializada, transformação digital e uma crescente exigência em matéria de sustentabilidade.
Mais do que um setor que simplesmente constrói edifícios, a construção está a responder a algumas das principais transformações que Portugal atravessa.
A necessidade de criar mais habitação, reabilitar o património existente, tornar os edifícios mais eficientes e acelerar os processos de construção está a obrigar empresas, profissionais e entidades públicas a repensar a forma como os projetos são desenvolvidos e executados.
2026 está, por isso, a revelar-se um ano de mudança. E muitas dessas mudanças deverão continuar a sentir-se em 2027.
Os dados mais recentes disponíveis mostram que a construção mantém uma trajetória positiva.
Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), em junho de 2026, o Índice de Produção na Construção aumentou 2,0% em termos homólogos. No mesmo período, o emprego no setor cresceu 2,1% e as remunerações aumentaram 7,4%.
Estes números revelam um setor com atividade e procura, mas também mostram que o crescimento não acontece sem pressão.
O aumento das remunerações é particularmente relevante num contexto em que as empresas de construção continuam a competir por profissionais qualificados e a responder a projetos cada vez mais exigentes.
Ao mesmo tempo, os custos continuam a representar um dos principais desafios para quem constrói.
Em junho de 2026, os custos de construção de habitação nova aumentaram 7,2% face ao mesmo período do ano anterior. O preço dos materiais aumentou 6,5%, enquanto o custo da mão de obra cresceu 8,0%.
Para proprietários e investidores, isto reforça uma ideia essencial: planear uma obra de forma rigorosa é cada vez mais importante.
Orçamentação, calendarização, escolha de materiais, gestão de fornecedores e acompanhamento da execução podem ter um impacto significativo no resultado final de um projeto.
Se há um tema que marcou 2026, é a habitação.
Portugal continua a enfrentar uma forte pressão sobre a oferta habitacional, tornando a construção nova e a reabilitação de imóveis particularmente relevantes.
Neste contexto, o Governo aprovou em maio de 2026 novas medidas de incentivo à habitação, incluindo incentivos fiscais à construção e reabilitação, mecanismos associados ao arrendamento e um regime de restituição parcial do IVA suportado em determinadas empreitadas de construção de imóveis destinados à habitação.
Estas medidas refletem um desafio maior: não basta existir procura por habitação; é necessário criar condições para aumentar a oferta.
E aumentar a oferta implica construir, reabilitar e tornar os processos associados ao desenvolvimento imobiliário mais eficientes.
A revisão dos procedimentos urbanísticos é também parte desta transformação. O Decreto-Lei n.º 108/2026 introduziu alterações ao regime jurídico da urbanização e edificação com o objetivo de simplificar procedimentos, agilizar prazos e clarificar processos.
A forma como estas alterações serão aplicadas na prática será determinante para perceber o seu verdadeiro impacto no mercado.
Outra das grandes mudanças que começa a ganhar expressão em Portugal é a digitalização do setor.
Em maio de 2026, foi aprovada a Estratégia Nacional para a Implementação da Metodologia BIM: PortugalBIM, com o objetivo de acelerar a adoção do Building Information Modelling nos setores da arquitetura, engenharia, construção e operação.
O BIM permite trabalhar com modelos digitais ricos em informação, facilitando a coordenação entre os diferentes intervenientes de um projeto e permitindo antecipar problemas antes de estes chegarem à obra.
A estratégia nacional prevê, entre outros objetivos, a formação e qualificação de profissionais, o apoio à implementação de BIM nas PME e a promoção da adoção desta metodologia no setor público e privado.
Esta transformação é particularmente importante porque a construção continua a ser um setor onde erros, alterações de projeto e falta de coordenação podem representar custos significativos.
Quanto mais informação puder ser integrada e analisada antes e durante a execução, maior será a capacidade de tomar decisões informadas.
A digitalização deixa, assim, de ser apenas uma tendência tecnológica e passa a ser uma ferramenta de gestão.
A construção enfrenta também uma transformação ambiental.
A eficiência energética, a escolha dos materiais, a redução de desperdícios, a gestão de recursos e o desempenho dos edifícios estão a ganhar cada vez mais importância.
Mas construir de forma sustentável não significa apenas escolher materiais considerados ecológicos.
Significa pensar no edifício como um todo:
Como será utilizado?
Quanto consumirá?
Que manutenção irá exigir?
Que materiais serão utilizados?
Qual será a sua durabilidade?
Como poderá ser adaptado no futuro?
Que impacto terá ao longo do seu ciclo de vida?
Esta visão é particularmente relevante numa altura em que a sustentabilidade começa a ser cada vez mais integrada no planeamento, na gestão e na regulamentação dos projetos.
Para as empresas de construção, significa que qualidade e sustentabilidade terão de caminhar cada vez mais lado a lado.
É impossível prever exatamente como irá evoluir o setor, mas algumas tendências parecem já suficientemente fortes para antecipar os temas que deverão marcar o próximo ano.
Com os custos de materiais e mão de obra ainda sob pressão, a gestão eficiente será cada vez mais importante.
Reduzir desperdícios, antecipar problemas e controlar prazos e custos poderá fazer a diferença entre um projeto bem sucedido e um projeto com derrapagens.
A implementação da PortugalBIM deverá acelerar a discussão sobre digitalização, interoperabilidade e gestão de informação no setor.
Em 2027, será cada vez mais difícil separar a construção de tecnologia.
A necessidade de aumentar a oferta habitacional não passa apenas por construir de raiz.
A reabilitação de edifícios existentes representa uma oportunidade para recuperar património, melhorar o desempenho dos imóveis e adaptar espaços às necessidades atuais.
A eficiência energética e ambiental deverá deixar de ser encarada como um elemento adicional e passar a fazer parte da conceção dos projetos desde as primeiras fases.
Projetos mais complexos exigem maior coordenação entre arquitetura, engenharia, construção, fornecedores e clientes.
Ter uma visão integrada de todo o processo pode reduzir riscos e facilitar a tomada de decisão.
Para quem está a pensar iniciar um projeto em 2027, o contexto atual deixa uma mensagem clara:
construir exige cada vez mais planeamento.
O sucesso de uma obra não depende apenas da qualidade da execução no terreno. Começa muito antes: na definição dos objetivos, na análise de viabilidade, no projeto, no orçamento, na escolha dos parceiros e na calendarização.
Uma gestão rigorosa permite antecipar problemas, controlar recursos e tomar decisões com maior segurança.
É precisamente esta visão integrada que permite transformar um projeto numa realidade com maior previsibilidade e qualidade.
A construção portuguesa continua a crescer, mas está também a mudar.
A pressão sobre a habitação exige maior capacidade de resposta. Os custos obrigam a uma gestão mais rigorosa. A digitalização está a transformar processos. A sustentabilidade está a ganhar peso. E os clientes procuram cada vez mais qualidade, transparência e acompanhamento.
Para empresas de construção e engenharia, o desafio já não é apenas construir.
É construir melhor, com maior eficiência, maior controlo e uma visão de longo prazo.
Na Taylor Made Company, acreditamos que cada projeto deve ser pensado como um todo, desde o planeamento e gestão até à execução e aos detalhes finais. É através desta abordagem integrada que procuramos criar projetos feitos à medida de cada cliente, com excelência, transparência e integridade.
O próximo capítulo da construção em Portugal está a começar. E será marcado não apenas pelo que construímos, mas pela forma como o fazemos.